sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Juçara e Penelope



Penelope
Penelope é um gênero de ave da família Cracidae* (Galliformes), com 15 espécies. Os cracídeos formam um dos grupos de aves neotropicais mais ameaçado de extinção. O desmatamento e a caça indiscriminada reduziram drasticamente as populações de cracídeos. Mais de um terço das suas espécies estão em perigo de extinção.

Penelope alimenta-se  principalmente de frutos, são frugívoros. Embora possam também consumir folhas, flores brotos e insetos. O gênero Penelope é um importante dispersor de sementes, pois os frutos são digeridos rapidamente e as sementes são ingeridas e defecadas intactas e viáveis. Não conhecemos com detalhes a dieta das 15 espécies de Penelope, mas um estudo mostrou que 44 espécies de plantas fazem parte da dieta do jacupemba (P. superciliares). Alguns exemplos de plantas usadas na dieta do jacumpeba são: palmeira juçara (Euterpes edulis), guabiroba (Camponesia xanthocarpa)  peroba-branca (Chrysophyllum gonocarpum), canela-preta (Nectandra megapotamica), canela-amarela (Ocotea dyospyrifolia) canjerana ( Cabralea canjerana).Só para citar algumas.
Juçara(Euterpes edulis
Juçara (Euterpe edulis) é muito importante para o jacupemba, pois compõe a maior parte da sua dieta. A  juçara (Euterpe edulis) é uma palmeira nativa da Mata Atlântica. A exploração descontrolada levou a espécie ao perigo de extinção. Da juçara se extrai palmito de excelente qualidade,  no entanto  a retirada do palmito implica na morte da palmeira. O desaparecimento da juçara poderia trazer consequências negativas para Penelope e vice-versa.

O que será de juçara e Penelope ?   Para a conservação de uma espécie muitas vezes é necessário conservar outra, neste caso uma espécie pode ser importante para a conservação de várias outras. Se cuidarmos de juçara, provavelmente estaremos ajudando todas as espécies de Penelope. Está na hora pararmos de destruir e começarmos a plantar.Plantar juçara.



*Nota: Família Cracidade é formada por 24 espécies de aracuãs, jacus, jacutingas e mutuns.
Fontes
MIKICH, Sandra Bos. 2002. A dieta de Penelope superciliares (Cracidae) em remanescentes de floresta estacional semidecidual no centro-oeste do Paraná, Brasil e sua relação com Euterpes edulis (Arecaceae). Ararajuba 10(2):207-217.
SICK, Helmut. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
   A autora
Marinês Eiterer Marinês Eiterer tem uma profissão muito legal, é bióloga. Ela adora observar aves. E, incentiva todo mundo a observar também. Gosta de escrever sobre aves e plantas, principalmente para crianças.
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domingo, 4 de dezembro de 2011

Pardalzinho


Pardalzinho

Manuel Bandeira


O pardalzinho nasceu
Livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos.
Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão,
O pardalzinho morreu.
O corpo Sacha enterrou
No jardim; a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Para crianças: O tico-tico e o guia de campo

  Uma professora leva seus alunos para uma aula de ciências no jardim da escola:
– Olha professora! – exclama Júlio, chamando a atenção de todos.
– O quê? – pergunta a professora, tentando entender o motivo do alvoroço.
– Um passarinho de topete listrado! E  um colar marrom envolto no pescoço. Que engraçado! Qual o nome dele? O que ele come, professora? – pergunta Júlio cheio de curiosidade.
Tico-tico (Zonotrichia capensis)
A professora sabe as respostas, mas quer que seus alunos aprendam como chegar até elas sozinhos. Assim sendo, ela responde:
– Hum...Não sei! Mas vamos descobrir!
– Como professora? – pergunta Ana, pensando que a professora devia estar maluca (achar o nome de um passarinho!Eles. Impossível!). 
– Vamos até a biblioteca – diz a professora.

Os alunos acompanham a professora até a biblioteca. Lá ela distribui vários livros para os alunos:
– Que livros são estes professora? Nossa quanto passarinho tem nestes livros! – diz André, atordoado com tantas figuras de aves.
– Primeiro não são passarinhos, são aves – diz a professora, muito séria – Os passarinhos estão só numa parte do livro e compreende a ordem dos passeriformes, ou os que tem forma de pássaros. Estes livros são chamados de guia de campo. Eles podem ser usados por qualquer pessoa, para identificar uma espécie, no caso, de ave. Existem guias de plantas, mamíferos, anfíbios...Este é um guia de aves do Brasil, tem todas as espécies de aves que ocorrem no nosso país. Existem também os guias regionais – explica a professora.
Guias de campo
– Mas professora, são muitas aves! Como descobrir qual é o nosso? – pergunta Lucas, atônito com tantas figuras de aves para ver.
– No início do guia encontramos uma explicação de sua organização. O guia que estamos usando está organizado em grupos. Vamos dar uma olhada em cada grupo para descobrir em qual deles a nossa ave pertence.
A professora aguarda os alunos:
– Ele parece com os dois últimos grupos que estão no final do livro, professora! - diz Juliana.
– É isso mesmo Juliana! - exclama a professora, feliz com a resposta.
– Agora vamos olhar com calma as ilustrações da aves dos dois últimos grupos e ver se encontramos o que estamos procurando - orienta a professora.
Alguns minutos depois…
– Encontrei! – exclama Bianca, levantando o braço toda eufórica. – É um tico-tico. O nome cientifico dele é Zono...tri...chia ca...pensis. Que nome difícil!!!
– Isso mesmo Bianca! Agora que sabemos qual é a espécie podemos saber mais um pouco sobre ele. Os guias de campo já nos fornecem algumas informações. Por exemplo, aqui já ficamos sabendo que esta espécie ocorre em quase todo o território brasileiro. Agora vamos ver em outro livro. Um livro de ornitologia. Ornitologia quer dizer o estudo das aves. Aqui nós vamos procurar pelo nome científico da espécie: Zonotrichia capensis.
A professora aguarda ansiosa a pesquisa dos alunos. Alguns minutos depois a professora pergunta:
– Todos encontraram?
– Sim!! - os alunos respondem  em coro. 
– Então vamos ler o que o livro fala sobre o tico-tico – diz a professora.

– O tico-tico  come sementes. Ele esmaga ou corta a semente com seu bico que é cônico, curto e forte – diz Angélica, toda séria.
– Muito bem Angélica! Mas, porque ele esmaga ou corta as sementes ele não é considerado um bom dispersor de sementes, como são os sabiás. As vezes podem comer insetos – completa a professora.
– O livro também diz que ele tem um canto bonito  e para algumas pessoas seu canto quer dizer: ‘Maria acorda! É dia!É dia! – fala Júlio, achando graça do que acabará de dizer. 
– Aqui também diz que os tico-ticos vivem em casais. E que o tico-tico defende furiosamente o lugar onde vive. Jovens tico-ticos estabelecem sua área com cinco até onze meses de vida, diz André.
– Olha só! O tico-tico constrói seu ninho parecido com uma tigela a poucos metros do chão, em arbustos ou sobre a vegetação quase rasteira. Os ovos são esverdeados salpicados de vermelho. E, ele gosta de viver em áreas rurais ,como a nossa, do que nas cidades. Veja só! – diz Lucas.
– Existem muitos outros tico-ticos diferentes, como podemos ver no nosso livro. Temos  o tico-tico-do-mato-de-bico-amarelo, tico-tico-cantor, tico-tico-do-tepui, tico-tico-do-matão-de-bico-preto, tico-tico-rei, tico-tico-do-banhado, tico-tico-rei-cinza – completa a professora - Agora com todas essas informações podemos fazer uma consulta na internet. Vamos para a sala de informática.
Todos os alunos e a professorem seguem para a sala de informática que fica bem ao lado da sala de aula.  Todos sentados diante de seus monitores, a aula recomeça:
– Muito bem… Vamos escrever no nosso buscador o nome da espécie: Zonotrichia capensis. Pronto. Agora achamos várias páginas que falam sobre a espécie e muitas fotos. Você reparem que as informações são muito parecidas com que encontramos nos livros e alguns textos dão como referência os livros que nós acabamos de ler.  
– Nós podemos fazer isso com outras aves que vemos na escola, professora? – pergunta Júlio.
– Claro! Nós podemos até criar nosso próprio guia de campo para que os outros alunos possam consultá-lo no futuro.
– E como podemos fazer isso, professora? – pergunta André.
– Bem…na próxima aula eu explico, pois a aula já vai terminar – diz a professora, olhando para o relógio.
O sino toca. As crianças correm em disparada. Hora de voltar para casa.

M. Eiterer

 
Nota da autora: Nas escolas em que trabalhei o que mais sentia falta era de uma boa biblioteca. Nunca encontrei em uma biblioteca de escola guias de campo. Mas já presenciei crianças manuseando guias. Elas adoram. Não entendo por que as bibliotecas de escolas não são equipadas com guias de campo. Como as crianças podem conhecer suas aves locais? Para escrever sobre o tico-tico eu precisei ler. O livro que eu li está em "Fontes".
Fontes:

SICK, Helmut. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.


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